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Você costuma dizer para as pessoas que você ama, eu te amo?

Aqui em casa falar eu te amo é automático, é fácil, rápido, quando vimos, já foi, saiu, está dito. Mais ou menos como aquelas risadas que não conseguimos segurar e de repente emitimos aquele som de porquinho! É tipo um ronco no meio da risada, que sem aviso surge, deixando a gargalhada ainda mais divertida. Assim é o eu te amo da família que construímos.
Acho vital validar este sentimento, mesmo que esteja claro o amor em atitudes, escutar da outra pessoa o que ela sente é acarinhar a alma, é um levantar de ego, de autoestima, é fortalecedor! Meus filhos, assim, do nada, no meio de um assunto qualquer, eles dizem "eu te amo papai", " eu te amo mamãe", "eu amo todo mundo da nossa família". Um Love só, um mel só. Mas o que me diverte mais, são as diversas outras maneiras de dizer eu te amo, com outras palavras. Pérolas de crianças, coisas que só elas conseguem, talvez pela pureza que possuem. "Fica aqui comigo, só mais um pouquinho", "você é tão fofinha de ficar abraçada", "eu gosto do teu cheiro". Ao acordar descabelada, ainda com a cara amassada, ouvir aquele toco de gente dizendo, "que lindo teu cabelo, mamãe!", não tem preço. Ganhar um beijo na mão enquanto aperto o cinto de segurança da cadeirinha do carro, ou ver aqueles olhinhos brilhando ao me enxergar chegando na escola.
Existe "eu te amo" quando dividem o suco, quando oferecem ajuda para levar uma sacola. Há amor quando pedem colo, quando mostram um desenho, quando contam um segredo. Eles falam "eu te amo" em todos os momentos, sem ao menos precisa emitir qualquer som, qualquer palavra.

Por ter um casal de filhos, tenho duas experiências de amor. Observo a Cecília brincar com as suas bonecas, conversando sozinha, percebo o amor e o carinho que ela cuida de suas bebês, ela repete alguns rituais de banho e de sono que faço com ela, assopra a comida, beija o machucado e avisa que vai passar. Enquanto isso, meu garoto, repete todas as falas do pai, gosta das mesmas coisas, torce para o mesmo time, quer vestir a mesma roupa, dia desses quis fazer a barba para ir trabalhar. Olhos de admiração que transparecem o mais puro amor.

Enquanto os fogos de artifícios faziam um lindo espetáculo na noite de réveillon, abracei fortemente meu gurizinho, falei para ele o quanto eu estava feliz por estar com ele naquele momento. Ele carinhosamente falou ao meu ouvida que ficará comigo para sempre, que quando for adulto, não vai morar em outra casa, mesmo quando casasse, ele moraria comigo para sempre. Me apertando de um jeito que jamais esquecerei. Ele não disse que me amava, não foi preciso!

Eles não precisariam falar para mim que me amam, até porque eu sei ao olhá-los, ao abraçá-los e ao beijá-los. Sei disso inclusive quando discutimos, quando imponho minha autoridade e quando exijo respeito. Mesmo assim eles falam aos quatro ventos, porque eles escutam de mim e de seu pai repetidas e repetidas vezes. Assim como aprenderam tantas outras coisas com nós, eles herdaram essa automática fala de amor, que alimenta ainda mais as nossas vidas.
Então, assim como aquele ronco de porquinho que se intromete em nossas mais verdadeiras risadas, continuamos disparando “eu te amo”, porque não cansamos de escutar, não cansamos de amar, não cansamos de falar!

E você? Você diz para as pessoas que você ama, que você realmente ama elas? Então, diga, não perca tempo, faz bem para quem fala, faz bem para quem escuta, faz bem para quem observa. Nossa vida é frágil, passageira, rápida. 
Não desperdice seu tempo, diga hoje, diga agora, diga sempre!

Manuela de Godoy Gaspari

Créditos: Go Sandi