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Você é simplesmente mãe?

Olhe para você e me responda sinceramente. Você é simplesmente mãe? 

Para mim a resposta vem acompanhada de um arregalar de olhos: não! Eu não sou simplesmente mãe!

Sou simplesmente uma mãe rodeada por muitas mães, deixando a multidão me levar, sendo que por vezes tento correr na direção contrária, porém, a força desta multidão acaba me arrastando para outro lado.

Sou aquela que chora em silêncio dentro do carro, sem ninguém notar, escondida atrás dos óculos escuros. Que aproveita a água do banho para deixar correr nela também as lágrimas, que por vezes não são compreendidas, por motivos fúteis, pequenos, mas que me fazem lavar a alma depois de um dia de cansaço.

Simplesmente sinto falta de silêncio. Então, subitamente me sinto envergonhada de sentir este sentimento, afinal, como posso sentir isso? Então, sinto-me simplesmente ingrata neste momento.

Eu sinto falta das minhas amigas, nossos momentos são cada vez mais raros, rápidos, rasos. Sinto falta de quem já fui um dia, da namorada, do meu humor, até mesmo das minhas futilidades, enfim, saudades da mulher que deixei para trás.

Simplesmente me questiono quem sou eu? Sou aquela que passou a sentir medo da doença, da violência, da indiferença, do trânsito, do preconceito, da crueldade. Medo de ficar sem celular, sem bateria, sem seguro, sem gasolina, sem assistência médica, sem farmácia! Medo da morte!

Precisando de tempo. Tempo para esquecer o tempo, para perder tempo, para passatempo. Perder o controle, o domínio, o juízo. Tempo para o vinho, só um vinho, simplesmente um vinho! Sinto-me simplesmente cansada, simplesmente querendo colo, simplesmente querendo entender o que aconteceu desde que você nasceu.

Simplesmente entender porque dou ouvidos para relatos, conselhos e histórias que não acredito. Por que os filhos dos outros não choram e dormem a noite inteira? Por que outras mães perdem peso rapidamente e estão com unhas feitas? Por que julgam meus calos se não calçaram meus sapatos? Por que me vejo fazendo os mesmos julgamentos que não tolero? Por que todos possuem respostas para tudo menos eu? Por que quando sei a resposta você muda a pergunta? Por que que quando estou farta e prestes a estourar você me sorri, ou você adormece e me vejo sorrindo observando suas covinhas?

Simplesmente mãe? Tenho ciência que teu sorriso e o calor do teu corpo no meu colo não tem preço, mas também tenho consciência que o teu leite, tua escola e teu futuro possuem valores financeiros atrelados. Não me refiro em necessidades superficiais, mas de necessidades reais, minhas, suas e de nossa família. Preocupo-me diariamente, constantemente.

Simplesmente mãe? O que eu entendo como necessidade é necessidade ou é apenas um desejo? Eu preciso ou simplesmente desejo? E desejando, está errado desejar algo que não seja unicamente estar ao seu lado? Então me perco, sem respostas.

E quando estou perdida você pede um beijo no joelho ralado. Então, você diz: “passou”! Seu olhar é de admiração e de gratidão! Então, não sou uma super mãe, nem mesmo uma super mulher, me controlo diariamente para separar minhas opiniões de meus julgamentos. Sou cheia de defeitos, erro diariamente, peço perdão muitas vezes e opinião mais outras tantas vezes também, porém, me fortaleço nos beijos que curam, na tua ingenuidade, na minha enorme sabedoria em simplesmente amarrar teus cadarços, ler para você, explicar para você de qual lado o sol "acorda" e em qual lado o sol "dorme". Entendo a minha importância quando passa a tua febre depois de vigiar teu sono, de evitar teu tombo, de dizer “foi só um sonho”, a mamãe está aqui.

Estou longe de ser uma simples mãe, mas para você meu filho (a), eu sou a melhor mãe, meu colo é o mais protetor, meu abraço é o mais sincero, meu beijo é o mais doce, minha voz é a mais suave. Já o meu amor, ah o meu amor, esse sim é completo, perfeito e desconexo. No futuro, com seu filho (meu neto, no caso), em seu colo,  meu filhinho, minha filhinha, vocês entenderão, que meu amor por vocês esse sim é muito, mas muito complexo!

Manuela de Godoy Gaspari