Ter filhos é viver!

Se existe algo que faz com que eu queria me sentir viva, são meus filhos. Por mais que haja vários momentos em que eu deseje dormir um sono profundo, assim como, a Bela Adormecida, eles não permitem e fazem com que eu esteja sempre alerta, tal qual um escoteiro em um acampamento. Inclusive, penso que a Bela Adormecida só pode ficar dormindo tanto tempo, porque ainda não era mãe, caso contrário, quando o príncipe encantado passasse por ela com seu cavalo branco, ela nem olharia para o tal moço, pois estaria mostrando o cavalo, ou pocotó, para seus filhotes. Fato!
Meus filhos fizeram de mim uma pessoa mais forte e destemida, sim, eu morria de medo de aranhas, até que sozinha em casa com meus pequenos, uma monstra de oito patas apareceu no meio da sala. Era tão grande que imaginei que a mocinha havia batido na porta para entrar e eu não havia escutado. Então a destemida mãe aprendeu matar aranhas assustadoras como se fossem pequenos mosquitinhos indefesos. Não é só isso, também aprendi a ter reflexos rápidos, agindo de tal forma que o super-herói Flash ficaria com inveja. Foi assim que consegui salvá-los de tombos extraordinários que nunca pensei ser capaz. 
Fui entender o que era ter o coração acelerado de verdade, quando escutei o estouro da cabeça de um deles batendo no chão pela primeira vez, quando foi necessário inserir uma agulha em um fino bracinho por três vezes até conseguirem coletar uma amostra sanguínea. Os homens que me desculpem, mas o coração de uma mulher bate de verdade, não quando estão apaixonadas ou quando juram amor eterno, mas sim, quando sua cria está em apuros, ou gritando por socorro.
Aprendi a rezar. Aprendi o que é ter fé, aprendi a agradecer. Passei então a pedir, na verdade, suplicar por saúde, por uma vida longa, para que eu possa viver o máximo de tempo ao lado deles, que me fazem sorrir, que me fazem acreditar em futuro melhor, que me fazem sonhar e a imaginar um mundo mais digno para eles envelhecerem.
Revivo a minha infância com eles, porém, com a oportunidade de fazer diferente, de fazer da infância deles, aquela que eu queria para mim. Chego a ficar com dúvida se Papai Noel realmente não existe! Preciso controlar minha ansiedade enquanto planejo suas festinhas de aniversário, enquanto penso em seus presentes ou quando providencio suas fantasias para a Festa Junina.
Me divirto enquanto faço rabos-de-cavalo, tranças, coques ou invento um cabelo maluco. Me orgulho com seus trabalhinhos da escola, me apaixono ao vê-los com seus pijamas coloridos. Também me assusto quando um deles aparece ao meu lado da cama, no meio da madrugada, porém, me conforta poder colocá-los na minha cama para adormecermos juntos.
Nada me dá mais vida que meus filhos. O corpo aguenta a dor, o cansaço, o resfriado. O sono espera sua vez, a fome também. A vida torna-se cada dia mais preciosa! Preciso estar viva, quero estar viva, desejo vida, desejo tempo. Por falar em tempo, se ele pudesse, só por alguns momentos parar, eu agradeceria, assim eu poderia contemplar com mais calma todos os detalhes desta vida que corre sem parar.

 

Manuela de Godoy Gaspari