Tarefa de hoje: ser Mãe!

Eu amo ser mãe!  Nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de não ser mãe. Tenho a impressão que me preparei para isso desde quando brincava com minhas bonecas, porém, quando tudo aconteceu, queria ter me preparado um pouco mais!

Achei que havia lido o suficiente, que havia conversado com mães o suficiente, que havia observado o suficiente. Achei que era a hora certa, que minha vida estava organizada, que tudo estava perfeito. Ora bolas, quando é que tudo está perfeito? Quando realmente estamos com a vida definitivamente organizada? Quando é que não ocorrem imprevistos?

Foi nestas surpresas da vida que constatei algo assim que meu filho nasceu:

Como é difícil ser mãe!

Ser mãe foi de longe a tarefa mais difícil da minha vida!

Como foi difícil lidar com a insegurança, com o desconhecido, com a dor após o parto, com a amamentação, com a mudança do corpo, a mudança dos relacionamentos. Como foi difícil lidar comigo mesma, com meu marido, com meu filho, com minha vida!

Foi tão difícil e é tão difícil lidar com o choro dos filhos ao mesmo tempo que precisamos segurar o nosso choro.

É difícil dar colo ao tempo mesmo tempo que precisamos de colo.

É difícil entender a vontade de fugir, com a vontade de não querer partir.

É difícil deixá-los com outras pessoas, afinal, é difícil confiar que outras pessoas cuidarão da mesma forma que a gente.

É difícil tomar decisões que envolvem outra vida. Vida esta, que é mais importante que a nossa própria vida.

É difícil segurar os nossos sentimentos quando alguma coisa vai mal, disfarçando, sorrindo, brincando, enquanto algo está desmoronando dentro da gente.

É difícil não demonstrar medo. É difícil transparecer tranquilidade quando se está tensa, cansada e irritada.

Como é difícil ensiná-los sobre a morte, a perda, a ausência, a saudade de alguém que se foi.

É difícil se despedir na porta da escola, na porta da balada, na porta do carro, no portão de embarque do aeroporto.

É difícil lidar com a verdade de que eles não são nossos, que eles nos foram emprestados, que não nos pertencem.

É difícil vê-los crescer, ao mesmo tempo que é imensamente satisfatório vê-los conquistar seu espaço no mundo, criando suas redes de relacionamentos, desbravando o desconhecido, se defendendo por conta própria, simplesmente indo em frente sem olhar para trás.

É difícil ficar aqui atrás olhando vê-los partir, voando solo, enquanto ficamos admirando todo essa excessiva dificuldade que foi, que é, e que continuará sendo a incontestável e maravilhosa tarefa de ser mãe!

 

Manuela de Godoy Gaspari

Créditos: Camila Scola