Grupo de Mães? Ajuda ou Atrapalha?

Participo de quatro grupos de mães do whatsapp. Diferente das experiências que algumas mães relatam, meus grupos não são nada difíceis de administrar, não lembro de nenhuma situação estressante, ou quaisquer desentendimentos em nenhum deles. Somos todas mães, tal cada qual a sua maneira, todas querendo acertar, todas humanas, com qualidades e defeitos.
São grupos diferentes um do outro, mas com uma característica comum: tornam meus dias mais leves. Algumas mães devem achar que estou mentindo, mas minha experiência até aqui está sendo uma verdadeira abonança, que eu mesma não consigo acreditar!
Com as escolas fechadas, muitas mães poderiam ter se afastado, mas a impressão é que a distância as uniu. São as crianças online, com a professora, enquanto algumas mães ficam online umas com as outras. A pauta de sempre: filhos. E alguma mãe até hoje já se cansou de falar sobre seus filhos?
Admiro todas essas mulheres, que administram seus trabalhos, seus casamentos, suas casas, seus compromissos, e ainda assim, conseguem ter humor ao final do dia para bater um papo no grupo, nem que seja para compartilhar qual a “saída” para o estresse do dia. É ali nos grupos que dividimos a experiência da quarentena, que debatemos sobre o formato das aulas, que nos ajudamos nos problemas matemáticos e de interpretação de texto. É no grupo que encontro sororidade. Entendemos que não estamos só, que juntas podemos ir além.
Se antes os grupos serviam para trocarmos informações mais básicas, agora, trocamos confidências de nossos dias de confinamento. Se antes trocávamos recados escolares, alinhavamos informações, agora dividimos receitas de bolo, técnicas de relaxamento, títulos de livros, filmes, séries e sim, uma série de outras coisas.
Mulheres que apenas se encontravam pelos corredores da escola, agora compartilham versões suas que não conhecíamos. Se antes estávamos próximas fisicamente, agora estamos conectadas pelo confinamento. Algumas mais participativas, outras quase que como visitas. Algumas mais descontraídas, outras ainda tímidas com suas novas amigas.
Interação apesar da dispersão. Prova de que não é preciso estar lado a lado, para de fato, estar ao lado de alguém. Prova de que sempre há algo bom acontecendo, só é preciso atentar-se aos detalhes. Prova de que não estamos sozinhos, basta olhar para o lado, você corre o risco de encontrar uma mãe assim, como você, com as mesmas neuroses, com as mesmas manias, com os mesmos medos, com as mesmas preocupações e com a mesma vontade de matar alguém por dia para aliviar o estresse, mas que ao invés disso, abre uma cerveja gelada e compartilha a imagem nos grupos de mães do whatsapp, só para descontrair. Não esqueça: mulheres fortes são aquelas que ganham forças com a união, afinal, maternidade não é uma competição!

Manuela De Godoy Gaspari
Simplesmente Mãe?