Seu filho será amanhã, aquilo que você é hoje!

E ela estava lá, com minha bolsa pendurada em seu pequeno ombro, as chaves que mal cabiam em sua minúscula mão direita, sua boneca toda riscada e basicamente sem roupas, sendo arrastada pela mão esquerda, sim, ela dizia para sua “filha”, vamos que já estou atrasada! Por um instante fiquei com vontade de rir, achei engraçada sua atuação ao imitar nossas saídas de casa, porém, passados dois segundos, fiquei com vergonha. Quantas vezes eu agi desta forma sem nem ao menos perceber? Para ela, seria a normalidade? Tal atitude seria então rotineira? Ainda imóvel, senti a minha amiga culpa ali, presente, ao meu lado, invisível, mas com força total. Sim, era eu, personificada em minha filha de 3 anos! 
O exemplo! Naquela cena teatral, cômica inclusive, representava de fato, o quanto as crianças aprendem com nossos exemplos. Não era teoria, não era papo de psicólogo, sociólogo ou pedagogo, não era a matéria do Fantástico, era a realidade nua e crua diante dos meus olhos. Obviamente que eu havia experimentado outros sinais desta “aprendizagem” pelos modelos meus e de meu marido, percebemos o quanto eles prestam atenção em nossas falas, mas principalmente em nossas ações, mas desta vez o formato foi claro demais, foi chocante demais.
Palavras são apenas palavras.

Quer que seu filho coma salada? Para isso é preciso que você também coma salada, fato!
Se querem que seus filhos não fumem, é preciso largar o cigarro!
Querem que seus filhos pratiquem esportes, que tenham cuidado com sua saúde? Eles precisam enxergar seus pais praticando exercícios físicos!
Querem que seus filhos tenham respeito pelos mais velhos? Então, não estacionem na vaga de idoso, não fiquem na fila preferencial, sejam sempre cordeais e pacientes com as pessoas de idade.
Querem que seus filhos não sejam vítimas do trânsito? Respeitem os limites de velocidade, não dirijam alcoolizados, não passem o sinal vermelho. Respeitem as regras, ponto!
Querem que seus filhos tenham relacionamentos amorosos saudáveis? Sejam gentis e amáveis com seu(sua) esposo(a), conversem, cuidem um do outro, demonstrem amor, cuidado e zelo. 
Querem que seus filhos respeitem seus professores? Então não os critiquem na frente deles, não tirem a autoridade que lhes competem em sala de aula.
Querem que seus filhos sejam bem-sucedidos em suas profissões? Então não reclame do seu trabalho, não se arraste na segunda-feira, mostrem entusiasmo pela profissão escolheram.
Querem que seus filhos sejam cidadãos do bem? Basta serem pessoas do bem, que olham para além de suas prioridades, que façam mais e mais, sem pedirem algo em troca. 

O mundo que deixaremos para nossos filhos, é o mundo que podemos deixar. Podemos fazer melhor, podemos mudar pequenas atitudes, podemos fazer destas crianças grandes homens e mulheres, capazes de mudar tudo aquilo que as gerações passadas não conseguiram. Para isso acontecer, não basta apenas querer, desejar, comprar e cobrar atitude de pequenas crianças, que não enxergam em seus pais as ações necessárias para serem pessoas extraordinárias.

Então, atrasada como sempre, respirei fundo, não falei nada, apenas avisei que estava na hora de irmos para a escola, pacientemente, engolindo a vontade de sair correndo! Em câmera lenta, eles foram em direção ao carro, avistaram uma fileira de formigas, pararam para observar. Fizeram carinho na cachorra Anita, nossa fiel pastora que deixou neles um rastro de pelos dourados, que os fizeram rir do quanto ficaram emporcalhados. Olharam para o céu, a fim de observar se havia sol ou nuvens, ou sol e nuvens misturadas, discutiram um pouco, pois um achava que havia mais sol, com poucas nuvens, já o outro, estava convicto que havia mais nuvens que sol. O vencedor resultou da brincadeira “pedra, papel e tesoura”. O Raul, teve o privilégio de ser o primeiro a se acomodar em seu assento, vitorioso pela brincadeira, enquanto a Cecília precisou de uma mãozinha materna para “subir” em sua cadeira, pois ainda não havia decido se realmente havia mais sol do que nuvens naquela manhã ensolarada!

Manuela de Godoy Gaspari
Simplesmente Mãe?
Créditos: Camila Scola | Fotografias

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