PUBLICIDADE. FAÇA A SUA PROPAGANDA AQUI! FALE CONOSCO

Ser mãe é saber fazer bolo de chocolate!

Ninguém ensina como ser mãe.
Ninguém chega a este mundo com uma receita ou com uma bula em volta do cordão umbilical. 
Resolvi, então, exemplificar um pouco como é ter filhos, fazendo analogia a um bolo de chocolate. Acreditem, fazer um bolo é mais fácil sim, embora confio que essa associação possa ser compreendida.
Mesmo que você nunca tenha ido parar em uma cozinha, é possível que já tenha se deparado com ingredientes básicos para a preparação de um bolo de chocolate, inclusive com os recipientes e materiais necessários para tal arte. Lembre-se de que você fará seu bolo sem contar com uma receita-guia, ok?
Você vai ao supermercado e compra farinha, ovos, leite, fermento, achocolatado, açúcar. Olhos atentos à lista devidamente preenchida com toda atenção do mundo. Corre até uma loja para conferir os vários modelos de batedeiras e certificar-se da potência e da capacidade do eletrodoméstico, além de analisar formas, colheres, entre outros materiais interessantes.
Nesses estabelecimentos, você certamente deve ter recebido certos “pitados” de algumas pessoas mais experientes, as quais, inclusive, pareciam ter vivido toda a sua vida em uma confeitaria de tantas informações que passaram. Isso fez até brotar uma pontinha de inveja.
De volta, então, à sua cozinha, você começa a preparar todos os materiais necessários. Sem nem ao menos colocar a mão na massa, seu coração já começa a palpitar, suas mãos ficam suadas, um pouco trêmulas, parece que está lhe faltando o ar. Mesmo assim, consegue estufar o peito e, cheia de coragem, começa a executar seu plano às cegas!
É quando aparece sua mãe, uma tia, uma vizinha, a sogra, a cunhada. Todas essas pessoas ocupam a sua cozinha, falando ao mesmo tempo, emitindo inúmeras opiniões, todas querendo ajudar. Muito açúcar, pouco açúcar, mais fermento, menos farinha, mais chocolate, menos leite, e por aí vai... Essas foram apenas algumas dicas que você ouviu e, por mais que você tente continuar do seu jeito, cai um ovo no chão. Você morre de vergonha! Enquanto corre buscar um pano para limpar seu chão, tem alguém ali, mexendo no seu bolo, colocando ingredientes que você nem havia pensando em utilizar, pior, ingredientes que você nem gosta! É quando surge uma leoa dentro de você e, com um único rugido, você manda todo mundo embora do recinto.
Até mesmo você parece se assustar com tal atitude!
Silêncio, cozinha bagunçada, você toda emporcalhada, sente que agiu descontroladamente, furiosamente, grosseiramente, e você não é assim. Se sente só, culpada pela reação impensada. Então, liga a televisão, bem na hora da Ana Maria Braga, que está fazendo sabe o quê? Bolo de chocolate! Seu sorriso volta com tudo, afinal, esses problemas podem ser resolvidos com a the best da culinária! Pois é, a alegria não durou muito quando você percebeu que sua forma de assar o bolo não era da mesma espessura, do mesmo diâmetro, do mesmo material mega, ultra, super, top do momento. Seu fogão não mostrava exatamente a temperatura exata que a tal Ana Maria estava indicando, além do mais, a marca da sua farinha não era a mesma. E a manteiga? Você não tinha comprado manteiga! A alegria recente já se transformava em lamento. 
Televisão desligada, choro engasgado, você recorda do bolo da vizinha, fofinho, tão bonitinho, decorado com confeitos coloridos, cheirava bem, inclusive chegou a salivar a boca só de recordá-lo! Então, novamente focada, resolve fazer aquilo que lhe foi proposto.
Foco no bolo!
E assim você o fez, do seu jeito, do seu modo, inventando sua própria receita, sem saber a dosagem certa de cada elemento, sem saber o tempo de cozimento, com os recipientes que havia. Se o bolo ficará igual ao da vizinha, ou talvez, igual ao da padaria, você só saberá lá na frente, não enquanto estiver preparando. No momento do preparo você apenas faz o seu melhor, você se dedica, se empenha, se entrega.
Criar um filho não é muito diferente não! Quando estamos gestando, estamos nos preparando, comprando enxoval e, desde já, ouvindo opiniões quem nem sempre foram solicitadas. Nossas casas ficam horas abarrotadas de pessoas, outras horas vazias. Em alguns momentos nos sentimos pressionadas, outros momentos nos sentimos amedrontadas pela solidão. As informações estão ao nosso dispor a todo momento, podendo nos aliviar a tensão, ou aumentar a aflição. Comparamos nossas vidas com as dos outros, nossos filhos, nossas relações, nossos trabalhos, nossas condutas. Se duvidar, até os maridos entram na comparação! 
Muitas vezes o bolo da confeitaria é o mais bonito, mas não quer dizer que seja o mais gostoso! Nos enganamos com as aparências, nos iludimos.
Erramos sem intenção, esquecemos o bolo no forno ao atendermos uma ligação, a campainha ou pela necessidade de irmos ao banheiro. Nos distraímos com outras coisas até sentirmos o cheiro de queimado alastrando-se pela casa. É possível, também, retirarmos o bolo do forno ainda cru, antes do tempo, por ansiedade ou por medo de tostá-lo. 
Há aquelas que preferem pagar por uma confeiteira, porém, nem sempre poderá ser a decisão certeira!
A verdade é que sabemos tudo que deve ser feito, porém não sabemos como fazer!
Temos os melhores ingredientes: amor, carinho, perdão, paciência, criatividade, entre outros tantos, no entanto não sabemos ao certo o quanto devemos usar!
Sinceramente, todas nós, mães, desejamos o melhor bolo de chocolate, contudo nenhuma de nós possui a receita perfeita! Algumas conseguirão, outras terão que aprender com alguns erros de percurso, precisando, assim, reescrever uma nova receita, talvez, uma nova chance de poder fazer tudo novamente. Quem sabe até, de um novo fogão? 
Mesmo que alguém lhe empreste a receita, você terá que fazer por você mesma!
Aproveite que a cozinha está suja e desfrute do doce que está a sua volta, ele é seu, aprecie esse momento, confie no seu modo de fazer, independentemente do resultado, se cru ou queimado, no ponto ou enfeitado, seu bolo será o mais delicioso, porque com todo amor e com muito esforço por você ele foi preparado! 
Seja feliz, minha cara, e bom apetite!

Manuela de Godoy Gaspari