Procura-se!

Eu estava lá quando avistei ela gritando pelo seu nome. Desesperada, aos gritos, aos prantos. Implorando para todos fazerem barulho na ânsia desesperada de encontrar seu filho. Ela olhava para todos, mas não parecia enxergar ninguém. Eram milhares de pessoas, ela procurava apenas uma, a mais importante da sua vida: seu filho.
Eu estava lá, pés na areia, olhos ao mar, curtindo mais um dia de férias junto aos meus filhos, que lá estavam com suas peles molhadas salpicadas de sal, boca suja de picolé de chocolate, entre pás e baldinhos, felizes, eles brincavam. Foi neste cenário de felicidade que passei a ouvir as palmas indicando que havia uma criança perdida. As palmas começavam e terminavam. Pescoços esticavam e olhavam à volta, procurando por algo, por alguém. Desconhecidos procurando por outros desconhecidos em solidariedade.
Quando pela terceira vez as palmas iniciaram, muitas pessoas já estavam em pé, todos se olhavam, desconhecidos passaram a trocar palavras, mães abraçavam seus filhos em sinal de proteção. Foi quando a aquela mãe passou na minha frente. Uma cena que não sairá tão cedo da minha memória. O desespero, o pranto, a angústia, a dor. Ela olhava e não via. Ela procurava e não encontrava. Ela gritava e não escutava. 
Com um nó na garganta, fazendo a única coisa que poderia fazer naquele momento, assim como as demais pessoas que presenciavam aquela deplorável cena, aplaudi, em sinal de alerta, assim como os demais. Me senti tão impotente, expectadora de uma tragédia real. 
Eu estava lá. Ela estava lá, na minha frente, quando avistei ele. Sim, avistei o filho! Um menino que deveria ter no máximo 5 anos, que corria em sua direção, aos prantos de felicidade, por ter encontrado seu porto seguro: sua mãe!
Ali, na minha frente aconteceu a cena mais tocante que poderia ter acontecido. O final mais feliz para uma tarde de verão. Meu nó na garganta se desfez em lágrimas quando mãe e filho se encontraram, ambos chorando, se abraçaram caindo na areia molhada, com o mar limpando suas dores. Naquele momento eles pareciam um só. Aquele menino parecia ter voltado ao útero materno, para a proteção e o amor, para o lugar que não deveria ter deixado.
Já, aquela mãe viu seu filho nascer novamente, e eu, bom, eu presenciei tudo isso e só pude agradecer pelos meus filhos estarem gritando por mais um picolé!

Manuela de Godoy Gaspari