Porque ter dúvidas é normal!

Costumo ser uma espécie de conselheira para mães de filhos únicos. Mães indecisas quanto ao segundo filho. O topo das paradas sempre é a minha experiência com dois filhos. Me sinto muito feliz quando as pessoas se sentem próximas e confiam naquilo que falo, apenas ressalto que a minha experiência é a minha experiência, cada qual terá a sua, talvez algumas mais tranquilas, outras nem tanto, mas para mim, Manuela, ter dois filhos foi minha melhor decisão. Houve apenas um momento de dúvida, confesso, que foi ao sair da anestesia do segundo parto, naquele turbilhão de emoções, mudanças físicas e psicológicas simultâneas. Primeira noite que passaria longe do meu bebê, Raul, de apenas 2 anos, mas que duraram apenas alguns segundos, enquanto eu tentava dar os primeiros passos com as pernas bambas, bexiga cheia e um tubo de soro pendurado no braço já machucado pela agulha e o esparadrapo. 
É natural sentir medo, precisar de um conselho amigo, procurar entender um pouco das experiências de outras mães antes da tomada de decisão. Diria que é um ato de amor e de responsabilidade avaliar todas as condições em torno da chegada de um novo filho. Como será conciliar as diferentes faixas etárias, o trabalho, o casamento, a casa, a conta bancária! É preciso ser prudente naquela que será uma escolha definitiva, afinal, filho é para sempre, e sim, que seja para sempre!
Ressalto apenas que o medo nos impede de viver coisas extraordinárias.
O medo paralisa e pode impedir mudanças para melhor. 
Ter medo é natural, faz parte do ser humano, é ele também que pode nos salvar de muitos perigos que nos cercam, e decisões, há, decisões importantes são difíceis de serem tomadas!
Ouça seu coração, olhe para dentro de você, pense na sua vida daqui 5, 10, 15 anos. Existe espaço para mais uma criança? Existe amor e doação para mais uma vida na sua vida? 
Se as respostas forem sim, o medo sempre estará ao seu lado, mas sua voz poderá ser forte e segura o bastante para acalmar o medo.
Para conhecer novas paisagens é preciso perder o medo das estradas.
Para experiências em terras distantes, conhecer novas culturas, outras línguas, novos hábitos, é preciso perder o medo de avião.
Para assumir um novo cargo, é preciso perder o medo do desconhecido.
Para comprar uma casa nova, é preciso perder o medo de zerar a poupança.
Há, para tudo isso, é preciso mais trabalho, mais dedicação, mais esforço. O relógio desperta mais cedo e o sono fica para depois, afinal, sem luta não há vitória!
Confesso que também senti esse mesmo medo, a mesma insegurança, busquei as mesmas respostas. Precisei enfrentar o desconhecido novamente, passei por diferentes mudanças, eu mudei. Minha vida mudou quando o Raul fez de mim, mãe. E a Cecília fez dele, irmão. Eles fizeram de mim mãe de dois. E eu fiz deles minha mais rica experiência, razão do meu viver!
Todos os dias sinto medo, mas todos os dias tenho amor em dobro para vencê-lo!

Manuela de Godoy Gaspari

Créditos: Cy Rezzadori Photography