O presente de Dia das Mães que nunca existiu.

Passou, acabou, todos estão voltando para suas rotinas. Mais um ou dois dias, ninguém mais fala sobre este lindo dia. Eu aproveitei como quase todas as mães. Abracei, beijei e fui beijada. Fui acarinhada com presentes sim, mas também fui presente para minha mãe, fui acolhida e fui acolhedora. Felicitei amigas, me emocionei com canções, fiz minhas orações e também lembrei daqueles que perderam suas mães.

Pensei nas pessoas que conheço, naquelas que talvez nunca conhecerei, mas que para elas, esta data foi de dor, foi de saudade. Uma data sem comemoração, ao contrário, uma data de solidão. Pensei naqueles que estavam sem suas mães, sem as risadas ou sem a gritaria no horário do almoço, sem aquela confusão de família, sem o almoço, muito menos a sobremesa, sem o compromisso de encontrar alguém. Pensei naquelas pessoas que olharam vitrines, assistiram comerciais, ouviram dicas, mas sem ninguém para poder presentear.

Pensei nas mães que estavam sem os seus filhos, ou que os perderam pela desordem do tempo, onde os anjos os levaram para longe, lhes fazendo chorar em uma data que antes era sinônimo de alegria. Onde estaria a alegria destas mães? Sim, mães que gestaram, amamentaram, amaram, continuam amando no vazio de um abraço sem calor, de um beijo sem estalo, de um “eu te amo” silenciado.

Pensei naqueles filhos e filhas que estavam na beira de um leito de hospital, entre o querer a presença da mãe e a bondade de deixá-la partir.

Pensei na mãe daquele rapaz que está em coma, sem saber se um dia acordará. Acordando, que sequelas restariam.

Pensei na mãe que estava com a casa cheia de filhos, cheia de netos, mas que mesmo assim, seu coração sentia falta daquele único filho que não pudera estar lá com ela, ou seja, sua casa estava cheia, mas ela, de certa forma, um pouco vazia.

Pensei naquela criança de mãos dadas com o pai, questionando onde poderia estar a sua mãe, se não com ela?

Pensei naquele presente que nunca existiu por não haver mãos que o segurasse, ou por não haver mãos o comprasse.

Quanta dor mora ao lado do amor.

Quanto amor habita em uma mãe.

Quanto de nós morre, quando morre uma mãe.

Quanto fica em uma mãe, quando morre um filho.

Quanto é preciso comemorar quando se tem mãe e filhos com saúde?

Seria somente um dia ou uma vida?

 

Manuela de Godoy Gaspari

Créditos: Camila Scola