Interrogação, esse é ponto!

Há quase 6 anos eu senti a sensação de ver os risquinhos ficarem vermelhos em um exame de gravidez. Senti dores de barriga aguardando o resultado do laboratório. Ainda lembro dos olhos de espanto do meu marido, basicamente tentando entender o significado daqueles números, não existia a palavra “positivo”, mas já havia alguém ali, além de nós.

Fui abençoada com um casal de filhos saudáveis. Tive a oportunidade de poder escolher nomes de meninos e meninas. Pude experimentar a sensação de olhar para minha mãe de forma diferente. Sem saber por qual motivo, meu pensamento voltou para minha infância em diversos momentos, recordei passagens que até então estavam esquecidas, mas que meus filhos colaboraram com essas recordações.

Depois que fui mãe, a presença de algo ou alguém, superior a nós, passou a ser incontestável. Soube o significado da palavra medo, experimentei a culpa. Senti a dor do meu filho na minha pele. Senti os olhares de incompreensão, senti que não conseguia chegar no horário, que não conseguia cumprir o combinado. A maternidade mostrou para mim que na maioria das vezes o que é executado, nem sempre foi o planejado. Os planos não saem do papel facilmente, a teoria e a prática não se encaixam, você se sente fora da caixa.

Você se sente única, sim a única que esquece a panela ligada, a torneira aberta, que se irrita assim, simplesmente por nada. A única que sai com roupas amarrotadas, camisas mal abotoadas, como fosse a única atrapalhada! Sei também que existem muitas mães que vivem de fachada, que não se abrem por nada, estão sempre maquiadas, assim, escondem suas falhas. Estariam elas certas ou erradas? Afinal, já sorri querendo chorar. Também chorei quando era preciso rir. Mudei, me transformei, me perdi, me reencontrei e me reinventei. Tirei o ponto final daquilo que julgava verdade, expus meu coração, meus sentimentos e compartilhei incertezas, dúvidas, erros e acertos. Há um ano coloquei um ponto de interrogação na minha simples função de mãe. Simples função? Foi exatamente neste momento que nasceu o blog Simplesmente Mãe? Assim mesmo, com ponto de interrogação. Quando passei a aprender com tantas outras mulheres de fibra, mulheres inseguras, enlutadas, sofridas e também sensatas. Me diverti com mães engraçadas, hilárias, totalmente, assim como eu, destrambelhadas! Todas elas únicas e ao mesmo tempo, todas elas iguais!

Mudei, ou a maternidade me mudou? Não saberia responder! Mas a interrogação está ali!

Somente após um ano fui entender que a interrogação faz parte de mim, penso também, que deveria fazer parte de todos nós, afinal, para toda história existem dois lados, julgar é totalmente desnecessário. Vamos questionar mais, ouvir mais. Estender a mão, olhar com atenção, agir com respeito, obviamente, dar razão ao coração, que o saldo certamente será positivo acrescido de muita diversão!

Manuela de Godoy Gaspari

Crédito: Camila Scola