Gente demais, tempo demais!

É preciso concordar que este mundo está com gente demais, com tempo demais, falando demais e alto demais, exatamente como a letra da música Alexandria, fruto da parceria de Humberto Gessinger e Tiago Iorc. Assim as pessoas caminham falando demais, ouvindo menos, queimando bibliotecas de conhecimento, por não trocarem experiências e sim julgamentos e opiniões.

Não há necessidade de opinião formada para todo e qualquer assunto. Você pode mudar de ideia, dobrar na esquina e descobrir outros caminhos, novos rumos. Cada pessoa possui a liberdade para um ponto de vista, dois, ou três, quem sabe. Há de se respeitar todas as crenças e teorias, não é preciso discutir o tempo inteiro, não há obrigação de expor opinião. 

É no silêncio que aprendemos a escutar aquela voz que realmente importa, a dona de verdades secretas e segredos velados. No silêncio encontramos a razão, que facilmente é perdida no meio de gritos e alaridos. Abaixar a cabeça e olhar para o chão, nem sempre é fácil, mas na grande maioria das vezes, pode ser a melhor solução, evitando assim, entrar em alguma contramão.

É muita fala sem profundidade, muitas palavras vazias, muito senso comum e pouco respeito pelo outro. É difícil prestar atenção naquilo que realmente conta quando se vive na arrogância, afinal, ir contra os outros, não é uma garantia de encontrar a si mesmo, então, procure criticar menos, revidar menos, responder menos. 

Crianças costumam chamar atenção aos gritos, agindo com teimosia e contrariedade. Adultos, agem com ponderação e inteligência, sem perder a razão, sem perder a sabedoria de quem muito pode e deve ensinar.

Sejamos adultos para ensinar nossas crianças a falarem coisas legais, nem demais e nem de menos. Sejamos os responsáveis por ensinar o respeito ao outro, as opiniões dos outros, as convicções dos outros. Sejamos responsáveis por uma nova geração que entenda, que tudo tem dois lados, vários ângulos, diversas possibilidades, infinitas experiências, fartos exemplos e múltiplas opiniões formadas que ninguém haverá de mudar. Sejamos agentes de mudança para uma nova geração de paz. 

Manuela de Godoy Gaspari

Créditos: Camila Scola | Fotografias