Férias da escola, trabalho de mãe!

Com exceção das licenças maternidade, esta é a primeira vez que estou sendo mãe 24 horas por dia. Chega a ser ridículo se for parar para pensar friamente, mas é verdade, apesar de espantoso! Quantas de vocês já pararam para pensar sobre isso?
Meus filhos frequentam Escola de Educação Infantil desde os 5 meses de idade, afinal, a licença me permitia ficar 120 dias afastada somente, então, a partir deste período, foi necessário terceirizar os cuidados e atenção diária para profissionais, que escolhi com muito cuidado, atenção e zelo. Na época não havia a mínima possibilidade de pensar em não trabalhar e me dedicar somente a eles. Hoje, percebo o quanto faz bem para mim e também para as crianças este contato com a escola, com amigos, com atividades pedagógicas, com orientação de profissionais para nos conduzirem em nosso dia-a-dia. 
Pois bem, quero contar para vocês que a escola está de férias desde o dia 19/12, e pela primeira vez, fiquei sem minha rede de apoio próxima, ou seja, avós, tias e dindas, todos ao mesmo tempo. Por isso andei desaparecida do blog, com mil coisas na cabeça, muitas ideias explodindo, muitas histórias para contar, mas sem tempo algum para sentar em frente ao computador e conseguir digitar uma palavra se quer. Estou sendo mãe, agora sim, em tempo integral!
É admirável este trabalho gente! Todos os dias, o tempo inteiro juntos, seja no banco, no supermercado, posto de gasolina, restaurante. Em todas as atividades, ou seja, tomando banho, passando roupas, falando ao telefone. Um dia cheguei a brigar para que ficassem no pátio, que fossem brincar, desafiei que ficassem longe de mim por um tempo, porque não conseguia me movimentar direito, pois hora pisava no pé de um, hora esbarrava em outro. Parecia a dona Pata com seus patinhos em volta. Quanta falta fez a minha mãe, queria poder pedir 1 horinha por dia, para pelo menos poder ir no mercado mais sossegada, poder ficar meia-hora na academia, ir à manicure sem ficar tensa, me ausentar um pouco das brigas de irmãos, das lutas intermináveis por brinquedos. 
Perco a conta quantas vezes me chamam por hora, quantas vezes me perguntam, se eu sei disso ou daquilo, sem contar que agora tenho as duas criaturinhas na fase dos porquês! Divertidíssimo, mas cansativo ao extremo. Brincamos muito, de tudo um pouco, alguns momentos somos monstros impiedosos que assustam criancinhas indefesas, depois somos princesas lindas, que passeiam por bosques encantados colhendo flores, em seguida preparamos bolinhos e biscoitos coloridos com massinhas de modelar, mergulhamos no fundo de uma piscina plástica, besuntados de muito protetor solar. 
Conheci alguns filmes que eles me apresentaram, isso foi o máximo, pois me contavam todas as cenas antes delas acontecerem, inclusive o final de cada um deles! Foram algumas extravagâncias culinárias, imagino alguns quilos incorporados ao meu peso, ainda mais longe da academia e de qualquer coisa que lembre rotina e bons hábitos. Férias, isso mesmo, férias!
Consegui escrever um pouquinho nesta manhã, aproveitando que as crianças resolveram dormir um pouco mais. Obviamente que tenho uma pia de louça cheia enquanto aqui escrevo, algum amontoado de roupas para colocar para lavar, brinquedos espalhados pela casa inteira e uma desordem bem grande a me esperar. Pois que esperem, neste momento, preciso disso, do barulho do teclado, de algumas letras, palavras, frases e parágrafos. Este é o meu momento, porque em poucos minutos, todo o resto do dia será deles. Quer saber, se for para ouvir suas risadas, suas perguntas engraçadas, suas músicas e danças, que todo o dia seja deles, que minha vida seja deles, meu cansaço seja deles, pois, todos os momentos valem a pena, só por poder estar junto deles!

Manuela de Godoy Gaspari
créditos: Camila Scola | Fotografias