Eu aceito ser sua mãe, sempre, apesar de todo o cansaço!

A maternidade é transformadora, desconfortável, cansativa e absurdamente sensacional. É o melhor exemplo de ambiguidade. É saber o quanto se está feliz, porém, reclamar em demasiada frequência. Não é preciso conversar por muito tempo com uma mãe, para se deparar com queixas, sejam elas dos filhos, do marido, do trabalho, do tempo que não colabora para secagem das roupas, da fila do supermercado, do trânsito lento, do preço das fraldas, do passeio da escola, e assim, segue uma lista interminável de negatividade.

Fique um pouco mais na companhia de uma mãe, que ao final de todas suas angustias, ela contará mil histórias de seus filhos, buscará algum registro fofo para se exibir, dirá que ser mãe foi a melhor escolha que já fez em sua vida. E essa é a mais pura verdade, pode acreditar! Acredite também que ser mãe cansa! Cansa demais, é exaustivo, perturbador, angustiante. Cansa precisar pensar o tempo inteiro. Cansa pensar na lista de compras, no jantar, nas contas para pagar, nas roupas que não servem mais, nos brinquedos adequados para faixa etária, na troca da cadeirinha do carro, na escolha da melhor escola.

Cabeça de mãe não tira férias. Nos preocupamos o tempo inteiro, e, vamos combinar, cansa se preocupar! Nos preocupamos com as amizades, com o rendimento escolar, com a alimentação, com a saúde, com os horários de dormir e de acordar. Cansamos de não saber as respostas, cansamos de buscar os acertos e cansamos de errar na ânsia de acertar. Cansamos de reclamar, sabemos que muitas vezes somos chatas, sem outro assunto para falar, porém, não queremos que nos julguem por nossas neuroses.

Mãe é neurótica mesmo. É óbvio que ninguém quer ser neurótica, mas, automaticamente, nos tornamos sem nos darmos conta! Estamos sempre sofrendo por antecedência, sempre prevendo o que pode acontecer, sofremos com os dramas pessoais umas das outras, sofremos com o sofrimento de outras mães. Cansa sofrer por coisas que acontecem todos os dias, cansa sofrer por coisas que ainda nem aconteceram, que talvez nunca aconteça, mas que só de pensar, sofremos. “É um amor que dói”, uma frase que ouvi já a algum tempo, nunca mais esqueci, pois definiu esse amor excepcional que é o de mãe, para com seu filho: Um amor que dói!

Então, dói ser mãe, porque dói pensar que ao passar do tempo, os filhos crescem. Nossos colos tornam-se vazios, nossas casas silenciosas. Quanto menor o número de brinquedos espalhados, menos cores e menos vida. Dói pensar que da porta para fora, existe um mundo para eles enfrentarem sem a nossa proteção, sem nosso olhar de aprovação, talvez sem o nosso beijo de boa noite. Dói pensar que lá na frente, nos contentaremos com algumas ligações, quando sobrar-lhes um tempo, justamente daqueles que um dia ocupavam todo o nosso tempo.

Cansamos de enxugar lágrimas, porque mãe chora, sim, sempre haverá motivos para chorar. Choramos com intensidade, seja de alegria, tristeza ou saudade. Mães e lágrimas caminham lado a lado, assim, foram predestinadas.

Somos frágeis e fortes. Somos seguramente inseguras, imaturas!

Somos decididamente indecisas, imprecisas!

Somos convictas que nosso amor é inabalável, eterno, consistente e verdadeiro, por isso, não nos julguem por reclamarmos, afinal, nenhuma das nossas queixas fazem de nosso amor e de nossa dedicação, algo maior que a nossa gratidão por sermos mães!

Manuela de Godoy Gaspari