Como você lembrará de mim?

Às vezes fico pensando como você lembrará de mim. Me questiono de qual maneira irá me definir para pessoas que talvez eu nunca conhecerei. Talvez você possa me retratar em poucas palavras, não importa, apenas desejo que sejam serenas.

Quanto de mim haverá na tua personalidade? Quantas vezes enxergará teu reflexo no espelho e lembrará de mim? Estarei eu presente, de alguma forma, na sua imagem?

Meu esforço de mãe é incessante. Meu instinto protetor é ininterrupto, minha capacidade de amar é vasta e desmedida. Minha doação é rotineira. Meus atos são controlados, para que eu seja teu exemplo. Meu colo é e sempre será tua casa.

Lembrará de mim com ternura? Talvez não recorde dos beijos após adormecer, mas quero que saibas que eles sempre estiveram lá, até mesmo nas noites mais cansativas, ou naquelas em que virastes de lado, por vezes chateado.

Lembrará dos passeios de mãos dadas? Das vezes que engoli o meu medo para te dar coragem?

Lembrará das respostas mais engraçadas para as perguntas mais pitorescas?

Lembrará de toda paciência, e também, de toda falta dela?

Se me deixar fazer um pedido, esqueça a parte do choro, da dor, da saudade. Esqueça as faltas, as falhas, as imperfeições. Fique apenas com a diversão, com o entusiasmo, com o contentamento de um sábado ensolarado, do barulho da chuva no telhado, ou até mesmo o cheiro de café passado!

Manuela de Godoy Gaspari