Boa sorte para todos aqueles que ainda não são pais!

Crianças choram, crianças gritam, crianças testam seus pais, crianças enlouquecem os seus pais. Sim, elas precisam de limites, elas precisam de alguém que as ensinem o certo e o errado. Elas precisam de alguém que as ensinem também a lidar com suas emoções. Ninguém ensina os pais a lidarem com suas emoções, com todos os imprevistos que acontecem, como usar a razão e desligar a emoção. 
Crianças ficam chatas quando estão com sono, ficam irritadas quando estão com fome, ficam agitadas quando se sentem desconfortáveis, então, elas gritam, elas choram, elas esperneiam, elas deixam seus pais desnorteados, desconcertados, por vezes imobilizados. Quando elas querem algo, elas simplesmente querem, elas não querem regras, elas não sabem nada de finanças, valor monetário, preço, custo, benefício, salário. Não compreendem horários, etiquetas, compromissos. Crianças estão apenas aprendendo, e os pais, estão aprendendo com elas também. Sim, porque ninguém ensina para os pais como devem agir diante ao inesperado, principalmente quando estão cansados ou quando está negativo seu saldo bancário.
Pais e mães querem sempre acertar, nenhum pai e nenhuma mãe quer errar na criação de seus filhos. Todos os pais, sem exceção, querem que as pessoas gostem de seus filhos, que tenham carinho por eles, que lhes deem afeto e atenção. Queremos, obviamente que me incluo neste contexto, que nossos filhos sejam um sucesso, não que sejam desgosto, vergonha ou que façam malcriações, mas eles fazem!
Filhos mentem e nos desmentem, sim, eles inventam também, nos fazem passar vergonha e constrangimento. Eles podem ser inconstantes, temperamentais, bipolares. Eles conseguem ir do riso ao choro em fração de milésimos de segundo. E tudo isso é normal! Não somos, nós pais, que ensinamos a impulsividade!
É fácil falar do filho que se joga no chão, quando não é o seu filho, quando não há emoção envolvida, quando não há amor, culpa, remorso ou zelo. É fácil julgar o desconhecido, aquele que você não sabe quanto recebe de salário no final do mês, sem saber de suas dívidas, de sua saúde, da sua história de vida, seus problemas de família.
É fácil dizer que o marido possui as mesmas obrigações que a mulher, quando o marido não é o seu, quando a mulher não é você. É fácil falar sem saber qual foi a relação estabelecida entre o casal. Sim, é fácil achar solução para os problemas conjugais daqueles que você não conhece, que nunca lhe falaram sobre suas intimidades, suas crises e dificuldades. 
É fácil dizer que refrigerantes fazem mal, que crianças precisam dormir cedo, que precisam guardar seus brinquedos. Sim, também é fácil dizer que os pais precisam saber de tudo isso antes de tê-los. Filhos precisam de planejamento, precisam de preparo, precisam de pais e mães equilibrados, sensatos, mais que isso, filhos precisam ser desejados. Sim, concordo, fato!
Difícil então é ter compreensão, empatia e disposição para ajudar.
Difícil é achar alguém que te ajude com as sacolas do supermercado naquele momento que você está carregada, tentando erguer sua criança da calçada ao mesmo tempo que procura suas chaves em sua bolsa pesada.
Difícil é alguém segurar o elevador ou a porta do carro. 
Difícil é alguém ceder o seu lugar na fila do banco, dar passagem no trânsito.
Difícil é alguém devolver o troco que foi dado por engano, ser sincero, olhar olho no olho.
Difícil é ser amistoso com estranhos, ser atento ao outro.
É fácil cobrar tudo isso de crianças, difícil é ser adulto e fazer o oposto!
Apenas não nos jogamos no chão e seguramos o choro!
Nossos filhos podem fazer a diferença no futuro, juntos podemos lutar por uma geração de cavalheiros, de pessoas gentis e amáveis, apenas não podemos esquecer que nem toda criança é amável em tempo integral e nem toda mãe ou pai, são pacientes em tempo integral. 
Somos reais e estamos sendo o melhor que podemos ser, inclusive, aceitamos sua ajuda, se esta for para nos fazermos crescer, transformar e melhorar!

Manuela de Godoy Gaspari