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A mãe que você era na última Copa do Mundo ainda existe em você?

Copa do Mundo de 2014, Brasil, mascote Fuleco, redes sociais recheadas de registros canarinhos, pessoas conhecidas realizando check-in nos estádios recém-inaugurados para a ocasião. Famílias reunidas em frente ao televisor, casas decoradas, caras pintadas, até os pets carregavam as cores em suas coleiras. Chegamos à semifinal contra a Alemanha e engolimos 7 gols - que pesaram na hora da digestão – assim como os amendoins, as pipocas, o refrigerante e as outras tantas guloseimas consumidas nos dias dos jogos.

Eu já era mãe do Raul e carregava a pequena Ceci na barriga. Ele não fazia ideia daquilo que estava acontecendo, porém, mesmo assim, entrou no clima, vestiu a camisa amarela, não pousou para nenhuma fotografia, afinal, estava descobrindo o mundo, não havia tempo para parar, mesmo que fosse o tempo necessário de um clic. Há 4 anos, vivíamos a expectativa da chegada daquela que seria, então, nossa garotinha sapeca. Enquanto isso, o Raul estava prestes a completar 2 aninhos, e eu mal conseguia pegá-lo no colo em função da minha enorme barriga e de um descolamento de placenta no início da gestação. No entanto, ainda assim, eu o chamava de chicletinho, pois estava sempre grudado em mim.

Não consigo recordar como era a fala do meu menino. Naquela época, quais palavras conseguia pronunciar corretamente e quais saíam atravessadas, pela metade, ou incompreensíveis. Recordo, sim, das músicas que cantava ao colocá-lo para dormir, já na cama grande, uma vez que seu quarto de bebê havia sido “doado” para a sua maninha. E ele ainda era um bebê, meu bebê! Eu já havia aposentado sua banheirinha também, para que pudesse ir se acostumando com o chuveiro, afinal, não queria fazer mudanças maiores após a chegada da irmã. Por isso, aos poucos, meu marido e eu adaptamos a rotina do nosso pequeno, fazendo transições calmamente, visto que a maior mudança ainda estava por vir. Mesmo após o nascimento da Ceci, o Raul nunca reclamou. Enquanto eu dividia minha atenção, meu tempo e minha dedicação, ele aprendeu a esperar sua vez, até porque o pai sempre estava por perto, presente, tentando suprir não somente as necessidades do nosso menino, mas também o amor e a atenção que precisaram ser redistribuídos. O Raul sempre soube tratar com carinho e cuidado a nossa garotinha.

Meus olhos teimam em ficar marejados ao recordar momentos tão peculiares de um passado muito recente. Apenas 4 anos depois, nova fase, novas brincadeiras, novas descobertas, inclusive um certo entendimento de futebol, geografia, cores, torcida e muita alegria! Após 4 anos, estamos novamente vestindo a camisa canarinha, porém o barulho está muito maior, principalmente após adquirir cornetas para a duplinha! Meu pequeno Raul, que na última Copa só queria saber de correr pela casa, agora espera pelas cobranças de escanteio, fica ansioso nas cobranças de falta e, diferente das demais crianças, tem como ídolo um jogador de outra seleção, que não a brasileira: Cristiano Ronaldo!

Assim como há muitos acontecimentos no intervalo de 4 anos, é possível não acontecer nada, dependendo de como levamos nossas vidas. Uma Copa do Mundo pode não ser apenas futebol, pode ser muitas lições se assim entendermos e quisermos entender. Nem todas as equipes chegam lá para ganhar o troféu do primeiro lugar, pois algumas tinham como meta apenas chegar lá e, com isso, alegram-se e comemoram o feito como uma excepcional conquista. Outras, entretanto, superam seus medos de lesões, vivendo um dia de cada vez, comemorando cada nova etapa. Obviamente que existem aquelas que só abrirão um sorriso ao levar a medalha de ouro pendurada no pescoço. Algumas irão aprender com os erros, outras acharão culpados. Lágrimas serão derramadas de tristeza e também de alegria, além, é claro, da saudade de casa.

Somos e seremos sempre aprendizes, de 4 em 4 anos, de ano em ano, ou de hora em hora. E assim, deparei-me curiosa para saber como estarei na próxima Copa. E você, como estará?

Manuela de Godoy Gaspari