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É possível amar mais de um filho?

Nunca duvidei da minha capacidade de amar. Sempre soube que poderia ter mais de um filho e que o amor seria inesgotável. Porém, confesso, no momento que estavam me preparando para uma segunda cesariana, me peguei pensando: será?
Eu já havia passado pela aquela situação antes, já havia segurado um filhote em meus braços pela primeira vez, já havia sentido aquela sensação de mil sentimentos simultâneos  ao ver o rostinho do meu anjo pela primeira vez, e já o conhecia como ninguém. Um menino de personalidade forte, de choro alto, sorriso fácil, que gostava de escovar os dentes, de calçar sapatos novos e não gostava de comer carne, muito menos de ser contrariado. Já sabia como lidar com esse garotinho, já conhecia seu cheirinho, sabia quando estava com sono, carente, bravo, com fome. Mas e agora? Será? Será mesmo que vou amá-la desta mesma forma? Eu conhecia meu garotinho, mas não conhecia essa menina! Como saber se iria amá-la?! Era uma estranha para mim, mesmo estando comigo durante 40 semanas.

Eu sentia seus chutes, eu lutei bravamente para mantê-la protegida até o final da gestação, fiquei afastada do trabalho, afastada de alguns amigos, precisei inclusive negar meu colo para seu irmão por diversas vezes, tudo sim, porque já havia amor, mas ainda assim, fiquei insegura quando a intensidade deste amor.

A pediatra chegou ao meu lado e me disse: “só mais um pouquinho e já vamos conhecer a Cecília”!

Esses minutos de dúvidas duraram o tempo suficiente de receber uma peridural e escutar o primeiro chorinho de uma menina gordinha.
Não foi um choro muito alto, não foi muito estridente, foi único, foi lindo, foi dela, foi da minha menina!

Eu a ouvi, eu a vi, eu a senti, eu a cheirei, eu a beijei e eu a amei. Como amei !
E eu a amo, como eu a amo!
Não entendo: como fui duvidar?

Não sei, talvez possa culpar os hormônios, se não foram, eles serão os culpados destes pensamentos tão estapafúrdios! Preciso culpar algo que não seja eu!

Confesso que poderia apontar algumas pessoas como culpadas também, mas resolvi abstrair aqueles comentários do tipo:” você é louca”, “agora sim tu vai ver o que é ter trabalho”, “tenho pena do mais velho, é tão bebê ainda”, “mas agora tu vai parar de trabalhar, né?”, “para quê ter dois filhos se é para deixar na escolinha?”.
Será que as pessoas pensam estar realmente ajudando? Será que é essa a intenção? Enfim, aqui caberia outra discussão, mas não é o momento.
Dane-se. Aquela menininha chorou e o meu mundo parou naquele mesmo instante. Sabia que tinha tomado a decisão certa!

Louca? Sim, pode ser, certamente que sim, louca, por me doar novamente para aquela situação, por passar por mais uma cirurgia, por ver meu corpo transformado, por ficar longe do meu trabalho, de me afastar de uma vida social (que não era nada intensa, mas era uma vida social), de precisar dar atenção para praticamente dois bebes simultaneamente, por ver minha casa entregue ao caos, por mal conseguir conversar com meu marido.
Que insensata, doce e colorida loucura !

Essa loucura atende pelo nome de Cecília, ela é doce, divertida, bem resolvida!

Aprendi tanto com ela, que tem um sorriso de covinhas, aprendi que sim, que na loucura e no caos diário, na mais intensa correria e agitação, encontramos a paz e a tranquilidade que ela transmite. Quem a conhece sabe do que eu estou falando. É o carinho e a ternura na mais completa forma, ela é o amor, o olhar nos olhos, o chorinho sentido, a mãozinha que acaricia, o sorriso que desarma, a peraltice que nos faz rir. É a gargalhada que nos faz querer estar ao seu lado cada dia mais e mais.

Cecília, o um presente para o papai, que no mais alto grau de estresse e cansaço, se desmancha ao chegar em casa ao te ver correndo em sua direção, com seus dentinhos tão pequeninos aparecendo no maior dos sorrisos, teus gritinhos de felicidade é a trilha sonora que mais combina para aquela hora do dia, e assim, o empresário linha dura, desmorona, dentro de um pequeno abraço, porém, apertado, verdadeiro.
Você é o presente do teu mano, que apesar da pouca diferença de idade,  compreende tuas necessidades e tuas prioridades, demonstrando toda proteção e carinho, dividindo desde o mais simples brinquedo, até o amor dos pais, avós, tios, primos, colegas e professoras. A tua infância será sempre compartilhada e lembrada através dele.
Para mim, és a saudade quando não está perto, és minha calma, meu riso, meu choro, minha aventura. És minha doação, minha abdicação, meu cansaço, minha culpa de não poder fazer ainda mais. És minha oração, minha eterna preocupação. Serás minha eterna amiga, minha garotinha, meu mundo cor-de-rosa. Um carinho incansável, um amor imensurável!!!

Obrigada filhinha por essa intensa experiência!

Que venham muitos anos, estou pronta para todos eles, porque de todos os papéis que desempenho, tenho plena certeza, que o papel de mãe, é o melhor deles, apesar de sempre achar que poderia fazer melhor, porém, qual mãe não acha?

 

Manuela de Godoy Gaspari