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É chegada a hora de deixar na escola.

Lembro como se fosse hoje, e confesso que ainda dói, como se fosse hoje. Tudo estava completamente organizando, eu havia tirado todas as minhas dúvidas, havia combinado todos os detalhes, a mochila estava pronta com tudo que havia de mais bonito, cuidadosamente arrumado. Foi difícil dormir naquela noite, nós dois madrugamos, acordamos muito, muito cedo. Procurei me preparar para aquela que seria sua adaptação na escolinha. Tão pequeno, Meu Deus, apenas 5 meses, não havia nenhum dentinho na boca, sua pele branquinha de bochechas rosadas era tão sensível ao toque, ao sol, ao vento, até mesmo aos beijos que eu lhe dava.

Em função das necessidades do mundo adulto, levei você até lá, sua segunda casa, local onde estaria cercado de pessoas queridas, que certamente iriam te amar. Lá naquele lugar colorida e tão cheio de vida, faria muitos amigos e a diversão estaria garantida. Era assim que eu falava da escola para você enquanto percorríamos o trajeto, você já sonolento com o balançar do carro, com o som da minha voz que não parava de falar.

Tudo aconteceu tão rápido, tão diferente do que havíamos combinado, a pessoa que estaria nos esperando não podia nos atender. Fiquei atônita enquanto uma pessoa pegava a mochila impecável, enquanto outra te tirava do meu colo. E eu tive a pior das reações diante do inesperado, que é a de não ter reação alguma.

Eu te deixei lá, porém, ao voltar para o carro tive três reações iniciais: a primeira que foi dirigir em círculos sem saber para aonde ir, a segunda, foi de querer pedir demissão e não voltar da licença maternidade, e a terceira, ligar para a minha mãe pedindo ajuda.

A ajuda veio de forma imediata me mandando parar de dirigir sem rumo e buscá-lo naquele instante, depois, veio a serenidade dela dizendo que tudo daria certo. Era apenas isso que eu precisava ouvir. Pelo caminho repetia como se fosse um mantra: “tudo vai dar certo”.

Um pouco cética de que as mães reconheciam o choro do seu filho em meio a outros tantos choros, fui prova de que sim, mães reconhecem o choro daquele que veio de nós, que é parte de nós. E eu ouvi o choro do meu pequeno já no portão, e confesso, foi assustador!

Neste mesmo dia, neste apocalíptico dia, que na verdade não deve ter passado de meia hora, eu aprendi como as mães viram leoas. Eu virei uma leoa, brava, de rugido alto. Neste rugido saíram milhares de palavras dirigidas para quem quisesse ouvir. Decidia, levo meu pacotinho mais preciso, juntamente com aquela mochila que já havia sido revirada e saio em disparada desejando não apenas a não olhar para trás, mas a esquecer este triste episódio que de alguma forma traumatizou a mim, e quem sabe, ao meu amado filho, apesar dele não lembrar, penso que algo possa ter ficado em seu subconsciente.

É por isso que quem tem como profissão cuidar, zelar e acalentar crianças, sejam elas quem forem, na idade que estiverem, precisa amar aquilo que faz. Precisa dedicação, esforço, paciência e acolhimento não só para as crianças, mas para os pais que estão passando por um dos momentos mais difíceis na vida, que é deixar aquele ser mais preciso, nas mãos de terceiros.

Ninguém é obrigado a trabalhar naquilo que não gosta, que não sente prazer, que não lhe dá satisfação. Existem muitas funções a serem desempenhadas. É monstruoso que uma pessoa agrida física ou psicologicamente uma criança em troca do salário no final do mês. Não há dinheiro no mundo que possa justificar um ato de covardia tão absurdo. É desconcertante se deparar com notícias de profissional da área de educação agirem agressivamente, sem hostis, ofendendo e desrespeitando crianças indefesas. É repugnante saber que existem pessoas que enxergam e nada fazem para proteger e zelar por esses pequenos que estão sob os “cuidados” de seres tão desprezíveis.

A minha experiência não chegou a tal ponto, apenas fomos negligenciados, separados abruptamente, faltaram informações, acolhimento, despreparo, mas para mim bastou, foi mais que o suficiente. O valor que estava disposta a pagar, não era nada barato (mesmo assim jamais justificaria) e não fico envergonha que me alegro por saber que fechou. Os motivos, jamais saberei, mas esta que fiz referência, por sorte, não existe mais! Acontece que outros pais e outras crianças não tiveram esse mesmo final, sofrendo as consequências psicológicas de uma dor que talvez não tenha remédio que alivie.

Criança não é brinquedo, ninguém tem o direito de brincar com uma vida!

Precisamos ajudar nossas crianças, precisamos ajudar outros pais, precisamos estar atentos e denunciar todo e qualquer ato de injustiça e de arbitrariedade, afinal, juntos somos mais fortes!

Manuela de Godoy Gaspari

Obs: Esta é a fotografia que fiz na hora que estávamos saindo de casa. Inclusive, está na postagem da minha fanpage pessoal, datada de 19/11/2012.